Essa história começa assim: Deus viu que eu estava lá de bobeira naquela friaca de Santa Catarina, meu primo também não tinha irmã para atormentar a vida dele em São Paulo, então Ele pensou: “Vou juntar essas tranqueirinhas”. E deu certo!
Imaginem duas pessoas totalmente diferentes. O Alexandre é dez anos mais velho do que eu, apesar de achar mais delicado falar que sou dez anos mais nova do que ele, assim não choca tanto (rs), é de poucas palavras, objetivo e mais contido em suas demonstrações de afeto. Nem preciso falar quais são nossas diferenças.
Cresci escutando minha mãe falar que precisava comer cenoura, assim como o Alexandre, para ficar com a cor igual dos olhos dele. Ela bem tentava, mas eu não caia nesse truque. Optei por ficar com os olhos castanhos, enquanto ele comia pratos e mais pratos de cenouras raladas mantendo os olhos verdes e físico esbelto.
As visitas na casa dele eram constantes. O Alexandre aguentava a prima pirralha entrando no quarto às 08 horas querendo brincar, ficava louco da vida quando eu bagunçava todos os livros de uma super coleção muito bem organizada do Tio Patinhas e acho que tinha pesadelos quando sabia que não teria só a presença da prima chata, mas também de sua melhor amiga, Dity. Coitado... Chegava das festinhas querendo dormir até tarde, só que eu sentia saudade do meu primo e não entendia esse lance noturno, então entrava em seu quarto toda feliz, mas com frequência tomava com a cara na porta. Ele estava na “aborrecência”.
Com o Alexandre aprendi a admirar pessoas quietas e com um certo jeito misterioso. E o que ele é guerreiro? Sinto muito orgulho por tê-lo como “prirmão” porque é um exemplo de homem que soube lidar com tudo que Deus colocou em seu caminho e amadureceu, aprendeu e venceu. Lindo, lindo.
Nossa avó não admitia torcer pelo Corinthians, meu time, porque achava que o Ale ficaria chateado, já que é torcedor do São Paulo. Ele é o xodó das mulheres da família, mimado. Mesmo quando ele não está presente é lembrado com carinho e comentamos dele como se estivéssemos falando de uma joia rara, e é certo que estamos.
Ele é a cara de minha mãe que por sua vez é a cara de nosso avô. Uma beleza chique, elegante. Tento respeitar o jeito fechado de meu “prirmão”, mas muitas vezes vem à tona todo meu estilo dengoso. Gosto de me despedir ao telefone com o Alexandre dizendo “eu te amo”, e por vezes sinto que sou a personagem da Demi Moore no filme “Ghost – Do outro lado da vida” quando ela escuta “idem”, mas neste caso escuto um “também” muito engasgado. Fico satisfeita com a resposta porque é um trabalho árduo conquistar essa declaração.
Falei que ele gosta de pudim de leite? Acho melhor ele contar que gosta de outras delícias gastronômicas porque quando vamos visitá-lo minha mãe leva o tal docinho feito com toda dedicação. Vocês acham que não fui castigada por aprontar tanto com meu primo? Ilusão. Era ele ir almoçar em casa que lá ia eu ralar cenoura e mais cenoura para o Alexandre saborear antes do almoço. O nome disso é amor, só pode.
O amor nasce de qualquer maneira. No ventre, no coração. O legal é valorizar os presentes de Deus. Se tivesse que escolher novamente meu primeiro irmão para seguir os passos e compartilhar os momentos marcantes que tiveram importância fundamental na construção do meu caráter e personalidade, eu escolheria o Alexandre todas às vezes porque estava escrito que em uma pessoa tão diferente de mim eu me encontraria.
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| "Prirmão" = Primo + irmão! :) |



